A formação do Benfica tem relação com a história econômica, cultural e educacional de Fortaleza. Com a recuperação da economia do estado, afetada pela estiagem no final do século XIX, houve o deslocamento das classes sociais mais abastadas em direção à periferia do centro da cidade a fim de se afastarem do comércio. Esse movimento foi favorecido pelo conforto e pela rapidez proporcionados pelo sistema de transportes com as linhas de bondes elétricos e automóveis particulares movidos à gasolina.
A expansão dos espaços de moradia deu-se a partir do deslocamentos das classes mais abastadas para o lado oeste da cidade, com o bairro Jacarecanga, e para o sul, na direção da estada de Arronches, atual Parangaba. Com isso, o Benfica se tornou uma área destinada ao descaso.
No espaço entre as atuais Avenidas dos Expedicionários e João Pessoa localizava-se a lagoa do Tauape. A partir da década de 40, esse espelho d’água foi sendo aterrado aos poucos, dando lugar a praças, casas, comércios e palacetes de nobres famílias da cidade.
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| Visão aérea do bairro com destaque para a lagoa. |
Inicialmente chamado de São João do Tauape por conta da lagoa, o bairro se transformou em Gentilândia por conta dos Gentil e posteriormente foi batizado como Benfica.
Foi nomeado Gentilândia, como a cidade dos Gentil, mas é importante lembrar que outras famílias importantes da época também escolheram o bairro para fugir do burburinho do centro da cidade. Podemos citar os Nepomuceno, os Albuquerque, Os Fonseca, os Fiúza e muitos outros. Os palacetes possuíam jardins recuados, pomares, e até piscinas. O bairro respirava verde, com verdadeiros bulevares.
O cruzamento entre as Avenidas 13 de maio e Av. da Universidade até 1974, contava com a presença de um girador no qual a Fonte das Sereias estava situada. Hoje ela decora a praça defronte ao BNB, no centro da cidade.
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| Antigo girador. |
A seguir algumas fotos da época:
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| Família Gentil no Palacete dos Gentil, onde hoje é a Reitoria da UFC. |
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| À esq.: portão do palacete dos Gentil, usado por um tempo para entrada da Reitoria. À dir.: foto aérea da Reitoria, quando foi inaugurada a Concha Acústica. Ambas datam de 1959, do arquivo Nirez. |
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| Palacete da família Nepomuceno na Av. da Universidade. |
E hoje? Bem, hoje ainda restam algumas edificações da época, tendo outros usos ou abandonadas ao tempo. Em relação ao verde, o bairro continua bem arborizado, não tanto como antes, mas muito mais verde do que outros bairros da cidade. As ruas mudaram de nome, os estudantes as “invadiram” tornando o bairro jovem e boêmio. Surgiram lojas, restaurantes, shopping, praças, prédios, fazendo o bairro crescer e conquistar seu espaço no coração do fortalezense, e assim surgiu o BEMfica. Somos estudantes, invadimos o bairro e o Benfica nos conquistou!
Abaixo pode-se ver a residência de João Gentil, onde funcionou posteriormente o Ginásio Americano.









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